domingo, 29 de julho de 2012

#notemetasconRBD

Independente de ser fã, gostaria de me posicionar e comentar sobre o que a gravadora EMI está fazendo com a história do extinto grupo mexicano, RBD.  

Situação: EMI decide bloquear RBD no Brasil. Exclui/Bloqueia videos oficiais deles no youtube, proíbe a venda de cds e dvds e apaga RBD das suas listas de artistas assessorados.
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 Acho que a EMI deveria se mostrar minimamente profissional e se manifestar. Se ocultar é pra quem não tem o que dizer. Fazendo isso, a EMI além de apelativa, me parece pouco inteligente. Se o motivo disso tudo é querer espaço e mercado para a versão brasileira de Rebelde, a coisa ainda é mais catastrófica. 

Forçar a aceitação do RBR dessa forma é, no mínimo, expor mais o fracasso deles. Quer bloquear o RBD? Tem argumentos convincentes pra fazer isso? Então que dêem a cara , falem e estejam dispostos a lidar com as opiniões e receber as críticas. Diferente do que eles pensam, essa não é uma decisão que envolve somente à eles. 

Quando o RBD gerava lucros exorbitantes, os videos eram ótimos, a venda de cds e dvds era incentivada, agora que tem esse outro projeto, do qual NÃO SOMOS OBRIGADOS a gostar, querem fazer isso? Só nos prova que não estamos perdendo nada, que essa versão não se garante o suficiente e não se contenta com o público que conquistou! 

Sabe o que é fenômeno? É o que está acontecendo.
 Mesmo depois de tantos anos, os fãs sobem tags em questão de segundos, se unem, bolam planos e defendem o RBD com a mesma garra da época em que eles eram uma modinha. Já provamos inúmeras vezes, o que podemos alcançar quando estamos unidos e, de fato, toda essa força só pode causar inveja.

 A nossa união incomoda tanto, sinto muito mas é assim que vai ser, pois, "o RBD só deixará de existir quando o último coração REBELDE parar de bater". A verdade é essa, conformem-se e acabou. 

GERAÇÃO / FACÇÃO, ou como queiram chamar, EU AMO VOCÊS e tenho orgulho de fazer parte disso. 

 por: Carla Cunha ;)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Jornalismo Esportivo é pauta de debate

No último dia 28 de març, o teatro da Faculdade CCAA foi cenário do 1° Encontro de Jornalismo organizado pela instituição. O evento tem como objetivo debater assuntos atuais e colocar alunos de todos os períodos do curso de Comunicação em contato com profissionais já inseridos no mercado. 

Mediado pelo professor e jornalista do canal ESPN, Fabio Azevedo, o primeiro debate começou às 10h30min com o tema: “Jornalismo Esportivo: A profissão na prática’. Convidados a falar do assunto, dois ex-alunos da faculdade, já atuantes nesse mercado, compareceram à conversa: Affonso Andrade, editor de conteúdo Web Jr na TV Globo e Thiago Barros, repórter no programa Globoesporte.com. 

Entre os assuntos discutidos, um dos mais polêmicos foi a questão da imparcialidade. Quando se fala em Jornalismo Esportivo, focando no futebol, como deixar de lado sua paixão por um determinado clube e realizar um trabalho que não seja tendencioso? De fato, quando se está no início da carreira, é complicado deixar a sua paixão por um time de lado e ter que exaltar ou criticar um time rival, porém, com o passar do tempo, o jornalista passa a lidar com essa situação com mais naturalidade e consegue exercer sua função sem expor sua opinião. 

Além disso, comentaram sobre a idolatria aos clubes e “jogadores-estrelas” que diminui quando se consegue ter uma relação diferente dos demais. O jornalista passa a ver e saber de fatos, que outros não têm acesso, conhecer e lidar constantemente com ídolos que, para a grande maioria da torcida, é inalcançável. 

Questionados por alunos sobre o foco explicitamente maior no futebol do que nos demais esportes, os convidados – embasados pelo mediador – admitiram que essa é uma questão estritamente comercial. Em síntese: o esporte que vende mais, gera mais notícia. O time que vende mais, tem maior destaque. 

Ao final da conversa, os ex-alunos contaram um pouco sobre suas experiências na área e enalteceram o valor da Instituição CCAA não apenas pelo ensino em grade (o curso, propriamente dito), como pelos extras que têm a oferecer. “Suguem tudo que puderem daqui, pode parecer que não vão usar no futuro, mas, acreditem, vão”, afirmou Thiago. 

No encerramento, ambos comentaram o quanto se sentiram felizes em voltar para faculdade, dessa vez não como alunos e, sim, como palestrantes, para mostrar a forma como evoluíram e apresentar o mercado de forma simples e objetiva para muitos que estão na graduação com o intuito de construir uma carreira nessa mesma área.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ousadia, sorte e uma dose de fama

Na era digital em que vivemos, é praticamente impossível não ser atraído pelas tecnologias avançadas e por esse meio de comunicação tão preciso e em tempo real. Quando pensamos em tecnologia, um dos primeiros exemplos que nos vem à mente é a internet e, ao falar de vantagens, rapidamente destacamos o fato de ela encurtar distâncias. Sim, essas características estão corretas, porém, a internet abrange muito mais do que isso.

Além de poder ser usada como uma plataforma de negócios (sites de compras, de empresas), para fins educativos (sites de escolas/cursos, bibliotecas online), institucionais, socioambientais e pelo fácil acesso a todo e qualquer tipo de assunto; para o mundo do entretenimento, a internet se tornou uma grande vitrine. Antigamente, talento, muita dedicação, esforço e até doses de sacrifícios eram a receita para a fama. Hoje em dia, basta ter certa coragem - ou “cara de pau” - e sorte de ser visto. Prova disso, são as chamadas “celebridades da internet”, que ficam famosas por conta de vídeos postados na rede que, instantânea e inesperadamente, somam uma grande quantidade de visualizações e se tornam verdadeiros fenômenos do mundo virtual.

Como exemplo dessas pessoas surpreendidas pela fama, a estudante cearense, de 19 anos, Camilla Bezerra Dantas – mais conhecida como Camilla Uckers - se tornou um sucesso da internet por conta do video “RDB NÃO é RBD...Entendeu Site Ego?”, onde expressou sua indignação com o erro cometido por um site de entretenimento que errou o nome da sua banda favorita, o grupo mexicano, RBD. “Agi mais por impulso, estava com muita raiva depois que li uma matéria no site Ego, onde erraram o nome da banda da qual eu sou fã e resolvi gravar um vídeo para mostrar a minha indignação e explicar para os estagiários do site que o nome da banda era RBD e não RDB”, diz ela.

A revolta da cearense foi vista mais de 700 mil vezes e não foi só a personagem que ficou famosa, “Safadeza Oculta” – expressão que ela usa durante o video – por ser algo, até então, nunca falado, caiu rapidamente no gosto do público e ficou quase 20 dias entre os assuntos mais comentados do Brasil - sendo 10 dias também entre os mais comentados no mundo - pelo twitter. Sobre o significado da expressão, conta: “Saiu na hora, não tem muita explicação sobre esse termo, na verdade, foi algo que eu jamais tinha falado e até pensei em cortar na edição, mas resolvi deixar, depois de pensar muito sobre o que seria safadeza oculta”.

De caso pensado ou não, o protesto da fã teve resultado: horas depois do video ter sido lançado, o site corrigiu o erro e, sobre isso, ela comenta: “Acho que foi a forma mais correta, pois um site de tão grande porte não pode cometer um erro desses, revisar o texto antes de ser publicado é o mínimo que devem fazer. Fiquei feliz por terem visto, pois depois desse vídeo as quatro matérias em que o nome da banda estava errado, foram corrigidas”.

Mas o que a deixou realmente feliz não foi toda essa repercussão mundial, a fama que conquistou, e sim, por ter conseguido a atenção de uma pessoa em especial, Christopher Uckermann, ex-integrante do grupo RBD e seu maior ídolo – motivo que a levou a continuar fazendo vídeos.

Eu fiquei super feliz mesmo quando o empresário dele postou o meu vídeo no twitter e depois vi que várias pessoas de sua produção estavam postando links e comentando sobre algumas entrevistas minhas. Esse vídeo me deu a esperança de ser reconhecida pelo o meu ídolo, depois disso, nunca mais parei de gravar.

No início foi complicado lidar com essa fama inesperada, Camilla confessa que chegou a ter medo de sair de casa por conta daqueles que não gostaram do video e postavam comentários maldosos e que ficou sem ir à escola, porém, depois de algumas semanas tudo voltou ao normal. “Ao normal” na medida do possível, pois, ainda que não houvesse mais o medo de sair, a fama já estava ali e seus frutos começaram a aparecer. Por conta da “safadeza oculta”, recebeu propostas de trabalho e as portas do mundo do entretenimento começaram a se abrir para ela. Trabalhou por quatro meses como locutora esportiva em uma rádio da sua cidade, participou de programas de TV, como o programa da Eliana (do SBT) que é de alcance nacional, concedeu entrevistas para emissoras como a MTV, além de ser convidada como presença vip em festas e boates.

Como a fama vem de maneira repentina, tais celebridades têm dificuldade de se manter na mídia durante muito tempo, muitas vezes voltando ao anonimato da mesma maneira que saíram dele. Para evitar isso, Camilla se aventurou no universo musical, chegou a gravar uma música – titulada “Não quero mais” – mas não pretende focar nessa carreira. “Eu quis aproveitar a fama para tentar ingressar na carreira artística, mas é algo muito difícil. Fiz aulas de canto por um ano, para poder gravar em um estúdio, mas acredito que o meu dom não seja o de cantar e, sim, de trabalhar na TV, fazendo as pessoas rirem. A gravação dessa música foi apenas uma experiência que eu quis ter”.

Diferente dela, que pretende seguir uma carreira artística fora da música, grandes nomes do cenário musical atual, foram descobertos na internet como, por exemplo, Justin Bieber. Há quem não saiba, mas sua fama não surgiu de nada mais do que um golpe de sorte. Um menino – hoje com 17 anos – postava vídeos em que estava cantando e, certo dia, foi visto por Usher - cantor, ator, dançarino e produtor – já conhecido no ambiente musical e que se interessou em produzi-lo. Hoje, Justin é fenômeno do pop mundial e um dos maiores motivos de delírios das adolescentes de todos os países, lota estádios, vende milhões de CDs e tudo que faz tem grande repercussão.

Camilla Uckers e Justin Bieber estão em patamares bem distantes, porém, o lugar de onde surgiram é o mesmo: a rede. Eles são exemplos que ilustram a tese de que a internet é uma grande vitrine e quem tiver sorte, consegue levar a fama desse universo virtual para o mundo real. E não há como falar de “mundo virtual” sem mencionar as redes sociais que são as principais responsáveis pela rapidez com que tudo é divulgado e é interessante ver como, coisas das mais simples, como a expressão “safadeza oculta” ou “pôneis malditos” (bordão criado por uma empresa automobilística, usado em um de seus comerciais, também de grande repercussão) caem de maneira quase que instantânea no gosto do público, o poder de disseminação dessas redes é, praticamente, incontestável.

terça-feira, 26 de julho de 2011

"Você sabe com quem está falando?"

Última parte da série de 3 textos que compõem uma análise crítica do livro Carnavais, malandros e heróis, de Roberto DaMatta. Abordamos aqui a o uso do famoso bordão "você sabe com quem está falando?" e o ato da "carteirada", a necessidade de se rebaixar o outro para representar uma ilusória superioridade.



Vários problemas sociais brasileiros têm sua origem no fato do brasileiro não se enxergar como indivíduo, trazendo o comportamento da casa para a rua. Assim, quando alguém diz “Você sabe com quem está falando?”, não só está se colocando como pessoa, única, especial, mas reduzindo o interlocutor a um indivíduo, alguém menos importante, apenas mais um na multidão.

Quem nunca presenciou um ato explícito de deseducação e autoritarismo? Quantas vezes, por exemplo, os freqüentadores de bares e restaurantes humilham garçons e atendentes como se eles fossem trabalhadores marginais e a ralé da sociedade? A prepotência não encontra limites. Repetidas vezes os arrogantes protagonizam situações absurdas nas quais escancaram fraquezas, para a indignação ou mesmo divertimento de quem as presencia.

Como também exemplo do uso dessa expressão: Não é difícil nos deparamos com operações realizadas pelos guardas municipais, as famosas “blitz de trânsito”, com o objetivo de fiscalizar os documentos dos veículos que estão circulando e a habilitação de seus motoristas, com o intuito de se fazer cumprir as leis de trânsito. Previsivelmente e infelizmente, acontece o famoso, inaceitável e covarde “você sabe com quem está falando?”, mais conhecido como “carteirada”.

Esta forma de comportamento é o que melhor comprova nossa estrutura social hierarquizada, onde alguns que possuem “carteira” de delegado, procurador, juiz, desembargador, deputado, prefeito, vereador, médico, advogado, dentista, diretor de universidade, simples elitistas que pertencem a famílias tradicionais e muitos outros, impõem sua surreal “supremacia” sobre os cidadãos normais, os únicos em que a igualdade formal, prevista na Constituição, é realmente aplicada.

É de se destacar o trabalho de servidores como os muitos guardas municipais de trânsito e policiais que vencem muitos obstáculos para exercer suas funções, devendo receber a admiração da sociedade, mas acima de tudo, nosso respeito. Respeito este que não encontramos, por exemplo, no comportamento de muitos jovens (a “carteirada” não vem só das autoridades) que encaram as autoridades responsáveis pela segurança de nossas cidades como inimigo ou até mesmo como subalternos. Não é raro nos depararmos com jovens, principalmente de classe média e alta, passando por cima das leis e das autoridades que por elas zelam.

Já está mais do que na hora de dar um basta a tanta hipocrisia, não cabe, por exemplo, a uma autoridade do alto escalão se sobrepor à lei, cabe sim respeitá-la e servir de modelo para que o país passe da ilegalidade para a normalidade constitucional. Além de crescimento econômico e social, devemos saber que tudo passa por uma mudança interna, pessoal e consciente, pequenas atitudes podem trazer grandes mudanças. Devemos fazer um pacto pela legalidade, onde saibamos contrabalançar nossos deveres com os nossos direitos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A imagem do herói

Parte 2 da série de 3 textos que compõem uma análise crítica do livro Carnavais, malandros e heróis, de Roberto DaMatta. Abordamos aqui a temática do herói, a necessidade de se criar e cultuar uma imagem como essa.


A imagem de uma pessoa com ideais humanitários aliados a princípios nobres, como a coragem e a solidariedade, transmitida por um herói desperta a esperança da mudança da realidade. Há quem viva na espera daqueles poderosos que irão lutar pelo bem comum, propiciando a ela condições de vida mais dignas, como um sistema de saúde público de qualidade e oportunidade de estudo e de crescimento profissional, frutos de políticas sociais eficientes comandadas por autoridades honestas e empenhadas.

A violência, fruto principal das divergências sociais, atinge ricos e pobres. Milhões de inocentes não seriam vítimas de balas perdidas, seqüestros relâmpagos, exploração infantil, guerras do tráfico e outras barbaridades se existissem aqueles que zelassem por sua segurança, por combaterem fortemente a injustiça e a impunidade, inclusive a dos políticos.

Diante do contexto atual brasileiro, a idealização de heróis é essencial para acreditar-se em mudanças efetivas. Mas deve-se acautelar para não confundi-los com pseudo-heróis, que por detrás da mascara de defensores da nação, só enxergam seus próprios interesses. Às crianças, que constroem suas personalidades espelhando-se em adultos, o princípio de solidariedade deve ser ensinado, porque são elas os possíveis heróis do futuro. Um Super-Herói é um mais que um entretenimento para uma criança, ele é um exemplo. Se ela entende o valor do ato heróico e do "bem", ela estará se posicionando no mundo como alguém que não fechará os olhos às coisas erradas. Ela crescerá com os olhos mais 'justos' e a seu modo fará a diferença.

... no próximo (e último) texto baseado nesta obra de Da Matta, falaremos do famoso bordão "você sabe com quem está falando?"

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Malandro, o jeitinho brasileiro!

Série de 3 textos que compõem uma análise crítica do livro Carnavais, malandros e heróis, de Roberto DaMatta e enfatizam as temáticas do jeitinho brasileiro, a figura no malandro, a imagem do herói e o famoso bordão "você sabe com quem está falando?".

Dizem que somos todos iguais perante a lei, mas será que isso realmente procede? Em um momento em que ela precisa entrar em vigor, muitas vezes nos deparamos com o status pessoal ou com a tentativa do envolvido, de “driblar” a situação. É o famoso “jeitinho brasileiro”.
A possibilidade de agir como malandro se dá em todos os lugares. Mas há uma área onde certamente ela é privilegiada. Quero referir-me à região do prazer e da sensualidade, zona onde o malandro é o concretizador da boêmia e o sujeito especial da boa vida. Aquela existência que permite desejar o máximo de prazer e bem-estar, com um mínimo de trabalho e esforço. (...) É um papel social que está à nossa disposição para ser vivido no momento em que acharmos que a lei pode ser esquecida ou até mesmo burlada com certa classe ou jeito. (DAMATTA, 1984. p.103)
Muitos são os poderosos - sejam empresários, políticos ou traficantes - que negociam sua impunidade em troca de favores e propinas àqueles que deveriam fiscalizá-los. Basta fugir de um flagrante, ou usar seu 'poderoso nome' para tornar o processo flexível a ponto de não se juntar provas incriminatórias em tempo hábil, o que leva ao arquivamento do caso, exemplo claro de que o jeitinho realmente funciona.

A estratégia utilizada é sempre envolver emocionalmente no seu problema, a pessoa de quem se depende naquele momento. Para isso, procura-se apelar para os bons sentimentos, a boa vontade e a compreensão daquele de quem você precisa na situação.

Para personificar esse costume, temos a figura do malandro. Embora o jeitinho seja usado por toda a sociedade brasileira o personagem do malandro é um usuário típico desse hábito que burla a legislação. Por esse motivo que o sinônimo mais comum de jeitinho é malandragem.

A malandragem, então, seria o modo profissional de botar o jeitinho em prática, e o malandro seria seu expert, uma espécie de profissional em levar uma boa vida, usando sempre a malandragem para atingir seus objetivos e conseguir privilégios. Mas esta malandragem não seria violenta, mas sim um modo elegante, simpático e, principalmente, sutil de passar a perna nos outros, usando a lábia e a sedução ao invés de ameaça e violência.

No entanto, não seria equivocado dizer que sempre tentamos corromper os outros, pois convencer alguém a fazer ou dizer algo em seu benefício é mais comum do que podemos perceber. Por exemplo, o brasileiro tem a mania de dizer e questionar (o que é seu direito) sobre os atos de nossos governantes quando se diz respeito à corrupção, porém, quando esse mesmo cidadão vai ao banco e vê aquela fila imensa ela sempre “dá um jeitinho” de furar a fila, seja entrando nas filas especiais para idosos ou de alguma outra foma, mesmo ele estando em plena saúde de seus 30 e poucos anos. Isso não seria também uma forma de corrupção?

DaMatta diz que grandes coisas boas e horríveis acontecem graças ao jeitinho, e graças a este costume, o brasileiro consegue levar a vida ganhando pouco dinheiro e respeito, graças a ele muitas obras de arte são tomam formas, mas é também no jeitinho que está a raiz da corrupção dos políticos.

Sem dúvida para nós, brasileiros, é importante e vital compreendermos melhor o que “faz o Brasil, Brasil” e como a lógica que rege os mecanismos da nossa sociedade abre possibilidades de mudança e de renovação, sem contrariar aquilo que é próprio da nossa natureza, mas explorando a generosidade e os desafios que a nossa natureza mista, imprecisa, intermediária, incerta e complexa nos coloca.

Contrária a imagem do malandro temos o herói. O mito do super-herói satisfaz as nostalgias secretas de muitos cidadãos brasileiros que, diante de tantos conflitos e da eterna insatisfação com a realidade, sonham encontrar um dia uma "personagem excepcional", um "herói" que irá pôr fim ao sofrimento, à violência, ao medo, ao desemprego, à fome entre outros problemas.

...no próximo texto, a imagem do herói.

sábado, 21 de maio de 2011

Muito mais do que um filme sobre cigarros...


Não é exatamente uma sinopse e, sim, uma análise feita com base em estudos de Psicologia Social, analisando comportamento, discursos, posturas e feedbacks exercidos e recebidos por alguns personagens do filme.

Obrigado por fumar é um filme do gênero comédia e conta a história de Nick Naylor – interpretado por Aaron Eckart - um lobista da Indústria Americana do Tabaco que possui uma missão não muito aceita pela sociedade: ele é o responsável por colocar na cabeça das pessoas que fumar é algo interessante e que deve ser um hábito diário. Divido entre esse dever e a responsabilidade de criar uma criança longe desse tipo de vício, Nick se vê em uma situação complicada à medida que seu filho passa a se interessar pelo seu trabalho e questionar seu comportamento.

Um bom exemplo de “verdade com desamor”, seria o fato de Nick, a qualquer custo, precisar convencer o maior número de pessoas que o cigarro deve ser considerado como algo comum, não como uma droga que deve ser repelida ou evitada, mesmo que, grande parte das pessoas, seja contra e se sinta grosseiramente afetada ao tipo de discurso do qual ele faz uso para persuadir futuros consumidores do seu produto. No entanto, ainda que possa parecer estranho existir alguém que seja a favor desse tipo de vício, seus argumentos são totalmente embasados e consistentes por meio de pesquisas e estudos feitos não apenas por eles, como por toda a indústria da qual é porta-voz. E é com essa base que ele combate seus oponentes, os fazendo refletir que para falar sobre um assunto, é preciso entender sobre ele.

Quando vai até a escola e é questionado por uma colega de turma de seu filho, sobre o fato de sua mãe ter dito a simples frase: “O cigarro mata”, Nick põe todos a pensar: “Por que ela disse isso? Com base em quê? Ela estudou para saber que o cigarro mata?” e aos poucos, vai criando essas indagações na consciência social.

O que o difere do Senador Finistirre – interpretado por William H. Macy – que usa dos argumentos mais baixos e, se assim pode-se dizer, infelizes para combater o discurso de Nick, expondo pessoas que sofrem de câncer causado pelo tabaco simplesmente a fim de causar impacto naqueles a quem chega o discurso de seu “adversário” e mostrar o quão maléfico é o cigarro, mesmo que não tenha como sustentar sua tese de forma não-apelativa e sim, fundamentada. O que seria um exemplo de “mentira com desamor”.

Porém, no momento em que Nick faz um pronunciamento em pleno senado americano, todo esse marketing-terrorista (expressão para sintetizar as ações do Senador) cai por terra. De forma altamente segura, o lobista argumenta que os queijos produzidos na região de Vermont (região de onde vem o Senador) matam muito mais pessoas, por via do colesterol, que os cigarros da indústria que ele representa. E mais, apresenta o frio, porém lógico, pensamento dos que são pró-tabaco: Qual seria o interesse da indústria do tabaco em produzir algo que faça mal e até mate seus usuários, se isso significaria perder um cliente? Absolutamente abalado, argumentativamente falando, o Senador não tem como combater essa “fala” e fica impossibilitado de formular qualquer resposta.

Bem além de exercer sua função de apresentar o cigarro como algo não-maléfico, Naylor defende a liberdade de escolhas e diz que antes de imporem a proibição dos cigarros (como Finistirre tenta fazer que eles sejam retirados dos filmes e substituídos por objeto comuns nas mãos dos atores), criticarem os fumantes e fazerem campanhas para diminuir o número deles; devem deixar que o indivíduo decida por si só se será ou não usuário do tabaco.

Ele se mostra incomodado com as restrições do governo sobre as pessoas e prega que elas devem ser as únicas responsáveis por escolher seus próprios caminhos. Defende assim, a tese de que não deve haver imposições e que nada deve interferir nos direitos das pessoas em decidir o que usar, vestir, consumir e usufruir.

Em primeiro plano, pode-se pensar que o lobista busca impor a sua verdade, no entanto, a ideia não é convencer os outros de que ele está certo e, sim, de que seus adversários estão errados – anseio que fica totalmente expresso em uma fala do protagonista. Ele se coloca na função de trabalhar a subjetividade dos indivíduos, os fazendo entender que para discutir, debater, retrucar, comentar, falar sobre qualquer assunto, é necessário terem um conhecimento mínimo sobre tal, para assim, ter onde basear seus argumentos e estruturar seus posicionamentos.

Sem dúvidas o filme é uma boa opção de entretenimento, mas também nos faz refletir sobre os julgamentos que fazemos, até mesmo insconscientemente.